Na última segunda-feira (15) a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), divulgou um estudo que aponta a preocupante situação das crianças haitianas. A pesquisa intitulada “A economia do cuidado infantil no Haiti” mostra que quase 60% do mercado de trabalho infantil no país corresponde a meninas e meninos que, em vez de estudar, se dedicam ao cuidado de terceiros.

A situação se torna preocupante, já que, segundo o estudo, apenas 2% das meninas e meninos haitianos menores de cinco anos recebem educação infantil. O que acontece na maioria das vezes, é que os irmãos maiores são encarregados do cuidado dos menores, enquanto suas mães trabalham.

As mães haitianas não costumam deixar seus filhos em creches. De acordo com a pesquisa, menos de 1% das mães com trabalho remunerado deixam os pequenos nas creches. No Haiti, a família é a principal responsável pela educação das crianças, seguido por meninos e meninas maiores que trabalham em lares, amigos ou vizinhos.

A tendência para que as crianças assumam a responsabilidade de cuidar de terceiros, incluindo seus irmãos menores, é uma prática generalizada no país. Crianças e jovens, que deveriam estar estudando, frequentemente ficam a cargo de seus irmãos menores, ou cuidam de outras crianças em outros lares. Esses meninos e meninas, muitas vezes, também exercem atividades domésticas.

O relatório da Cepal considera que as Políticas de Estado para o cuidado da primeira infância são bastante frágeis, e as condições de extrema pobreza em que vive a maioria da população, e que se agravou ainda mais após o terremoto de 12 de janeiro, não só impedem a escolaridade de meninas, meninos e jovens, como também levou à desintegração das famílias.

Na ausência do Estado e sob a necessidade que as mães têm de trabalhar, as crianças são entregues ao cuidado de parentes ou de outras famílias, incluindo famílias de países vizinhos. Por isso, o estudo alerta que a “transnacionalização” das famílias, devido às urgências econômicas, pode ser aproveitada por diversos tipos de traficantes, inclusive aqueles que servem ao tráfico para fins de exploração sexual.

O relatório aborda a problemática da formulação de políticas públicas de apoio ao cuidado e educação de crianças, enfatizando a análise da família como lugar central de cuidado. A pesquisa considera ainda, a necessidade de avançar para um modelo de proteção social universal. Neste contexto, o estudo da Cepal afirma que as políticas de educação infantil são prioritárias no Haiti.

Para a Secretaria Executiva da Cepal, Alicia Bárcena, esta pesquisa terá em conta o papel crucial das mulheres na economia e nas políticas de reconstrução do Haiti. “Assim como a infraestrutura física deve ser levantada, é necessário investir em infraestrutura social para facilitar o trabalho de cuidar das crianças. Um dos pilares da reconstrução do Haiti devem ser as políticas sociais destinadas a facilitar o cuidado, evitando que este recaía exclusivamente sobre as mulheres”, enfatizou.

Ela disse ainda que o estudo é uma homenagem às milhares de mulheres vítimas e sobreviventes do terremoto de 7 graus na escala Richter, que estão enfrentando a vida diariamente em condições de extrema desigualdade e pobreza.

Fonte: Envolverde