Texto enviado por Niájera – niajera@gmail.com

Deficiente

Para quem não conhece e muito menos convive com alguém que possua algum tipo de necessidade especial este pode ser um assunto muito distante. Também achei isso um dia…

Há quase 8 anos meu único irmão, Luiz, sofreu um acidente na praia e ficou tetraplégico e aquilo que um dia era algo “que só acontecia com o vizinho” tornou-se uma realidade em minha família. De uma hora para outro a palavra DEFICIENTE era um fato para nós e todas aquelas pessoas especiais que raramente enxergamos começaram a ser presença marcante em nossas vidas.

No mundo hoje existem cerca de 500 milhões de pessoas com deficiência. De acordo com o censo de 2000 do IBGE, somente o Brasil possui 25 milhões, o que corresponde a 14,5% da população. Mulheres, homens, crianças, jovens, seres humanos que na maioria das vezes não tem assegurado direitos básicos de ir, vir, estudar, passear.  Se somarmos esses números aos de familiares, amigos e profissionais, concluiremos que uma fatia enorme da população brasileira lida e também sofre com as dificuldades impostas aos deficientes.

Analisando todos esses fatos fica uma pergunta no ar… Por quê a inclusão social dessas pessoas ainda sofre tantas barreiras ?

Quando falamos de inclusão social estamos debatendo a construção de uma nova sociedade, com mudanças mínimas e gigantescas em todos os âmbitos: meios de transporte, ambientes externos e internos adaptados, a mentalidade das pessoas e empresas, a postura do próprio deficiente que muitas vezes se coloca num papel inferior, adaptação de utensílios domésticos, adaptação da internet e mais livros para o Braile, entre outras inúmeras mudanças.

Hoje que convivo com essa realidade, percebo que a maioria dessas pessoas são tão ou mais capazes de desenvolver quase todas as atividades que nós, ditos “normais”, fazemos pelo simples fato de que qualquer atividade por eles feita tem uma entrega total, uma valorização de simples atividades que não damos valor mas são feitas com o coração por eles.

A legislação brasileira determina por lei uma cota de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiências nas empresas com 100 ou mais empregadas, nas seguintes proporções: até 200 empregados, 2%; de 201 a 500, 3%; de 501 a 1.000, 4%; e de 1.001 em diante, 5%. Muitas empresas não aplicam ou por desinteresse ou por total falta de informação. Existe até um portal destinado a contratação desses profissionais: www.deficienteonline.com.br

Mas o que nós como seres únicos podemos fazer pra contribuir com essa mudança de postura da sociedade? Alguns exemplos que podemos citar:

– Respeitar a vaga de estacionamento para deficientes. Na cidade de São Paulo já existe uma lei que garanta isso.

– Não olhar um deficiente como se fosse um coitado, olhar como alguém que é capaz, que produz.

-Ajudá-los sempre que possível muitas vezes com simples gestos: ajudando um cadeirante a subir uma calçada ou algum obstáculo, informando um deficiente visual de barreiras a sua frente ou destinos de ônibus caso este não consiga identificá-las, etc. Tudo isso respeitando a vontade e limite de cada um.

-Amando, respeitando e valorizando cada um.

No Brasil, a Lei Federal n° 7853, de 24 de outubro de 1989, assegura os direitos básicos dos portadores de deficiência. Em seu artigo 8º constitui como crime punível com reclusão (prisão) de 1 a 4 anos e multa, quem:

  1. Recusar, suspender, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, porque é portador de deficiência.
  2. Impedir o acesso a qualquer cargo público porque é portador de deficiência.
  3. Negar trabalho ou emprego, porque é portador de deficiência.
  4. Recusar, retardar ou dificultar a internação hospitalar ou deixar de prestar assistência médico-hospitalar ou ambulatória, quando possível, a pessoa portadora de deficiência.

Portanto vamos disseminar esse debate e construir de grão em grão um mundo mais justo para todos, sem nenhum tipo de preconceito seja ele de cor, religião, opção sexual ou limitações físicas.

Com relação ao meu irmão, ele continua na sua batalha, já venceu muitas guerras e com a ajuda de Deus vencerá todas. Atualmente trabalhamos juntos, cada um com sua função e sem nenhum tipo de vantagem por ele ser um deficiente, há alguns anos ele conheceu uma pessoa maravilhosa, a Thaís, está noivo e em Abril do ano que vem irá se casar e construir sua família.

Que isto sirva de exemplo para todos aqueles que se acomodam e reclamam por coisas pequenas. Pequeno é aquele que não enxerga o seu verdadeiro valor e vocês amigos EFICIENTES, como a condição de vocês já diz…Vocês são especiais! São gigantes!

Abraços.

Niájera